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O que a tecnologia pode aprender com o jazz


A capacidade de adaptação que funciona nos palcos também é crucial nos projetos da ThoughtWorks.

 

O mundo se transforma cada vez mais rápido – muitas vezes mais depressa do que somos capazes de perceber. E quando falamos de tecnologia, o processo é ainda mais acelerado: novas demandas e necessidades se apresentam a cada momento, e saber se adaptar é uma habilidade decisiva para o sucesso de qualquer projeto. Nessas horas, colaboração, criatividade e trabalho em equipe são fundamentais.

 

Na eterna busca por soluções dinâmicas, o mundo da música pode ser um aliado para entender como lidar com um cenário que muda a todo momento - e poucas pessoas estão tão habituadas a encontrar soluções em cima do palco quanto intérpretes do jazz. Com origem nas comunidades negras de Nova Orleans no fim do século 19, esse estilo musical abraçou diferentes aspectos da cultura e da música locais para se tornar, ele próprio, algo original e incomparável. E a simpatia pela reinvenção talvez seja o que manteve sua relevância ao longo de mais de um século.


Se em um show de jazz as velhas partituras dão lugar à capacidade de modificar a música enquanto ela é tocada, no desenvolver de um software também há muito espaço para inventividade e adaptação. O ambiente muda o tempo todo e não é lá muito produtivo ficar preso às estruturas definidas quando o projeto começou: o resultado final até pode ser conhecido – uma boa música ou um software eficaz e inovador –, mas o caminho nunca é o mesmo. 

 

Improviso ou adaptação?

 

Essa capacidade de improviso, porém, não deve ser confundida com o descuido de um projeto mal estruturado ou executado de qualquer jeito. Pelo contrário, o que está em jogo é justamente a experiência acumulada para lidar com os desafios e para saber se equilibrar diante de uma súbita mudança de nota. “Os melhores sets de improvisação do jazz são feitos por musicistas mais experientes, por pessoas que fizeram aquilo muitas e muitas vezes”, resume Bárbara Wolff Dick, líder global de Design e líder de Capability da ThoughtWorks no Brasil.

 

“O que chamamos de improvisação, na verdade, acontece quando você sabe muito bem o que está fazendo, a ponto de entender o que pode ser modificado ao longo do caminho sem sair daquilo que se deve entregar no fim”, completa. Artistas com talento transformam a música ao vivo, combinam elementos entre si e recriam o jazz a cada apresentação. Nunca um show é igual ao anterior. A beleza fica por conta da soma dos conhecimentos de cada musicista e de como ela pode ser usada para produzir algo jamais feito antes.

 

Escutar para poder tocar


O processo criativo da ThoughtWorks envolve uma acurada capacidade de escuta, parecida com a que reina nos palcos de jazz. É preciso ouvir com atenção o que clientes desejam no início, mas não dá para ficar só na partitura. As ideias que emergem durante o projeto também merecem ouvido afiado, pois é assim que se descobrem rumos que não podem ser inteiramente previstos antes de o trabalho começar. 


“Há um constante entendimento. Conversar com clientes, rodar dinâmicas de análise e de síntese. Entender a infraestrutura técnica que cada cliente tem e como ela se organiza, e pegar as pessoas que mais conhecem isso tudo para desenvolver o projeto”, explica Bárbara. “Você vai avançando em ondas, em um ciclo de validação: escuta a cliente, entrega, valida, parte para o próximo problema a ser resolvido. E volta a escutar”, diz.

 

Uma solução Ágil

 

Nesse trabalho de construção coletiva, “a metodologia ágil tem tudo a ver com a adaptabilidade”, entende Caroline Cintra, diretora-presidente da ThoughtWorks Brasil. Ela lembra que, no passado, os projetos de software eram desenvolvidos no chamado modelo “em cascata”, no qual as demandas eram apresentadas por clientes e, a partir delas, definia-se uma estratégia de trabalho do início ao fim. O resultado era apresentado em uma versão bem próxima da final, sem muito espaço para ajustes – e como esse processo de desenvolvimento levava vários meses, o produto alcançado frequentemente já nem fazia mais tanto sentido assim.

 

Hoje, isso mudou. Dá para dizer que a partitura deu lugar ao uso fluído dos instrumentos. “Ao invés de fazermos a cascata, agora temos processos interativos: desenvolvemos aos poucos, por partes, e levamos às pessoas usuárias finais, e em seguida fazemos outra etapa. Exploramos e experimentamos muito. Como no jazz, novas ideias surgem conforme a música toca”, destaca Caroline.

 

“É uma questão de observar o que está acontecendo ao redor, o público e as reações. No dia a dia do projeto, estamos constantemente entregando e vendo como o contexto reage”, acredita Marcelo Oliveira, diretor de Professional Services da ThoughtWorks Brasil. “Em uma apresentação ao vivo, você consegue entender como o público responde a determinados aspectos da música, e pode realçar aquilo que funciona de uma forma mais ampla, para o resto da banda acompanhar essa mesma trend”, compara.

 

A construção de uma equipe e a forma como cada demanda é atendida, assim, dependem da especificidade de cada cliente. “A agilidade tem essa linha: quando começamos um projeto, sabemos quais são os valores e os princípios, mas nada é preso, nada é quadrado. Um projeto nunca vai se desenvolver igual a outro”, descreve Marcelo. “O que será entregue é o que cada cliente precisa, mas o caminho até lá é como montar uma banda: ao longo do projeto, as maestrias de diferentes instrumentistas vão aparecendo ao vivo, no decorrer da música, em um ciclo constante de feedback”.

 

O jazz, afinal, não é um ruído qualquer tirado de ouvido por intérpretes – é música (e da boa) elaborada por quem entende do assunto e sabe como experimentar ideias inovadoras sem afetar a qualidade final. Nos projetos da ThoughtWorks, é semelhante: novas ideias são incorporadas durante todo o projeto para tornar o resultado ainda melhor. “Esse expertise em explorar e testar é uma parte importante do trabalho. Existe uma lógica de como se adaptar, e é ela que nós seguimos: nosso processo é flexível, mas é pensado e disciplinado. Tudo é muito organizado antes de passar a uma nova fase”, conclui Caroline.

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