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Minha vida não é definida por um diploma. Nem a sua. Currículos de cursos e descrições de vagas nunca definiram a minha personalidade ou a de qualquer outra pessoa. Estamos acostumados a viver em uma realidade que insiste em criar versões rotuladas de seres humanos. Apesar disso, finalmente, nosso sistema econômico está nos apresentando novas possibilidades. Hoje, não se trata mais apenas de escolher uma área para trabalhar, mas de estar aberto a moldar-se da maneira como somos, unindo habilidades interpessoais e aproveitando ao máximo nossos talentos e paixões.

Model yourself the way you are.

Antes de começar a trabalhar com design e produtos digitais, eu era bolsista na UFRGS, pesquisando relações intermidiáticas, onde eu também frequentava o curso de Letras. Não tem como medir o impacto que tem no meu trabalho hoje o tempo que passei estudando narrativas e interações a partir do ponto de vista das relações intermidiáticas. Eu nunca cheguei perto de matérias semelhantes durante qualquer outro curso de Design.

E, ao fim, onde fui parar com isso? Hoje, cá estou, trabalhando para uma consultoria de tecnologia, desenhando e entregando software. Se nós estivessemos vendo esse cenário uns vinte anos atrás, eu provavelmente estaria em uma sala de aula, ensinando outras pessoas a ensinar. Vendo isso, não é incrível perceber as oportunidades que podem surgir a partir da relação entre diferentes áreas de estudo?

Temos hoje padrões econômicos que celebram a improvisação e a informalidade. Assim como poderíamos dizer que um gênio no Jazz é alguém que consegue fugir da melodia sem traí-la, o perfil do profissional de hoje é determinado pela capacidade de atuar em diferentes áreas sem abdicar de sua criatividade e idiossincrasias. A diversidade nos ajuda a prosperar em um mundo que nunca é o mesmo duas vezes.

Vagas que antes eram definidos com um alto nível de detalhes, estão perdendo espaço para posições que combinam habilidades diversas. A multidisciplinaridade é uma exigência para que entendamos e façamos parte de um mundo dinâmico. Você precisa ser um especialista, mas especialista no que você realmente pode e gosta fazer, e não simplesmente no que o mercado espera que você faça.

 

New job possibilities surface every hour.

Pode parecer até parecer um paradoxo, mas não é. Não existe uma receita para o emprego certo. Na verdade, não existe emprego certo. Novas possibilidades surgem a cada minuto e não há tempo o suficiente para que se crie um novo diploma para tudo o que está acontecendo. Em vez disso, a solução encontrada foi ir misturando uma variedade de áreas tradicionais e empoderando pessoas com conhecimentos diversos. Alguém especializada em Linguística, por exemplo, pode (e deve) se tornar designer amanhã.

É comum ver descrições de vaga e posições para preencher. Na verdade, elas nos ajudam a organizar nosso trabalho de maneira mais pragmática. Se alguém está montando um time para um projeto, essa pessoa terá que preencher vagas específicas. O truque aqui está em escolher uma pessoa excepcional para a vaga. Talvez exista a necessidade de um designer que é agil o suficiente para se adequar às necessidades de um projeto com práticas de Design Contínuo, algo mais técnico. Ou ainda mais, talvez encontrar um designer que, somado a isso, tenha uma história interessante, e relacionada com o projeto, e que tenha as habilidades interpessoais necessárias para o projeto. E o que mais esse designer poderia oferecer? Bem, a melhor pessoa para responder isso seria ele próprio.

E que tipos de contribuições são esperadas de alguém que veio para um projeto tecnológico, mas que foi treinado para fazer alguma coisa diferente? Por exemplo, o que um especialista em Linguística faria? Há muitas contribuições inesperadas de alguém que é tecnicamente capaz e que também tem uma história de vida única de auto-desenvolvimento em outras áreas. Não estou falando de excluir pessoas especializadas do time, mas, assim como eu ou você, alguém com uma formação diversificada pode solucionar problemas com uma visão única e inesperada. A melhor contribuição possível estará no relacionamento que eu vou estabelecer com a estrutura existente de um desafio.

Desenvolver habilidades é algo pessoal. É uma questão de percepção, de conhecer- a si mesmo, o que você faz, quais são seus instrumentos e métodos de entrega. Para o espectador, a música que eu faço agora não está diretamente relacionada com o que tenho feito nos últimos quatro anos da minha vida, mas ainda assim, pode ser percebida como bela. Fica evidente com ela que eu não fiquei parada no tempo, esperando a vida passar. Estar aberto à possibilidade de aprendizado constante nos leva a outro nível de auto-compreensão. É por isso que estudar um assunto específico ainda é importante. O que você estuda já não é tão relevante quanto o que você apresenta para o mundo.

Quando estudamos, estamos compondo, quando entregamos valor, estamos apresentando nossa música. Para um músico que conhece seu instrumento, nada é mais empolgante que uma 'jam session'. Você nunca vai saber, antes de começar, o que as partituras vão precisar de você, mas se você estiver consciente do caminho que quer trilhar, não terá medo de abraçar a melodia.