O Thoughtworks Technology Radar é um panorama semestral de ferramentas, técnicas, plataformas, linguagens e frameworks. Essa ferramenta de compartilhamento de conhecimento é baseada na experiência de nossas equipes globais e destaca coisas que você pode querer explorar em seus projetos.
Cada insight que compartilhamos é representado por um ponto. Os pontos podem ser novos no Radar mais recente, ou podem mudar de anel conforme nossa recomendação muda.
Os anéis são:
- Adote: Pontos que achamos que você deve considerar seriamente usar.
- Experimente: Opções que achamos que estão prontas para uso, mas não tão comprovadas quanto as do anel Adote.
- Avalie: Opções para observar atentamente, mas não necessariamente experimentar ainda, a menos que você ache que seja um encaixe particularmente bom para você.
- Cautela: Proceda com cuidado. Esses items envolvem receios significativos que exigem uma avaliação criteriosa alinhada ao seu contexto
Explore a versão interativa por quadrante ou baixe o PDF para ler o Radar completo. Se quiser saber mais sobre o Radar, como usá-lo ou como ele é construído, consulte as Perguntas Frequentes (FAQ).
Temas para este volume
Em cada volume do Radar Tecnológico, buscamos padrões emergentes nos pontos que discutimos. Esses padrões formam a base de nossos temas.
Engenharia de harness em escala
Discutimos se a engenharia de harness deveria aparecer como um blip individual no Radar, mas dado que é um tema que conecta muitas técnicas e tecnologias, decidimos destacá-lo como tal neste volume.
Embora o termo não seja novo, esta edição destaca um ecossistema crescente de práticas e ferramentas que mostra como a engenharia de harness (também chamada de engenharia de estruturas de agentes) está se consolidando como uma disciplina. Ela abrange o conjunto de componentes e práticas que estruturam o ambiente de um agente de IA, da memória e do contexto aos ciclos de feedback e guardrails. Em particular, um ecossistema emergente de plugins está tomando forma, ilustrado por Agent Plugins, pelo marketplace de plugins para agentes e ferramentas de suporte como o Agent Package Manager.
Junto a esses desenvolvimentos, está se tornando claro que o harness é um ativo vivo que exige responsabilidade e manutenção contínuas. Discutimos, por exemplo, a avaliação da qualidade do harness, a construção de um harness que se autoaperfeiçoa e o uso de um flywheel de feedback para garantir que os agentes melhorem ao longo do tempo. O desafio mais amplo é dimensionar o harness para atender às necessidades empresariais. Nos próximos meses, poderemos ver enterprise harness sendo encarado como um produto, não muito diferente do que aconteceu com plataformas e a engenharia de plataformas há alguns anos.
Além dos modelos de ponta
Estamos entrando em uma nova fase no uso de modelos de IA, na qual optar automaticamente por um modelo proprietário de ponta (frontier model) não é mais a escolha óbvia. Esta edição destaca inovações significativas nesse espaço, incentivando as organizações a pensar de forma mais criativa sobre quais modelos usar, como e quando.
Os modelos open-weight são particularmente notáveis aqui. Há doze meses, a diferença em relação aos modelos proprietários de ponta era gritante, mas hoje ela é muito menor para muitas tarefas. O custo é um grande impulsionador, mas não o único: os modelos open-weight podem rodar em seus ambientes de nuvem pública, em neoclouds ou em seu próprio hardware. Essa flexibilidade pode ajudar a atender a requisitos estritos de privacidade e reduzir a dependência de um único fornecedor. Isso é especialmente visível na engenharia de software, onde a família GLM tornou os modelos open-weight alternativas plausíveis aos modelos proprietários de ponta para algumas cargas de trabalho de agentes de programação. A auto-hospedagem (self-hosting) também pode ajudar as organizações a manter o código-fonte e os prompts dentro de sua própria infraestrutura. Mas essa mudança não se limita aos modelos open-weight. Os modelos de programação locais estão ganhando popularidade, enquanto desenvolvimentos como modelos fundacionais para dados estruturados e modelos de decisão como o Jev refletem o reconhecimento crescente de que os LLMs de ponta não são a única abordagem para a IA.
Com essa gama crescente de opções, escolher o modelo certo para cada tarefa está se tornando uma responsabilidade importante para as equipes de engenharia. O roteamento de modelos está emergindo como uma consideração fundamental. Alertamos contra o uso indiscriminado de modelos de ponta e incentivamos as equipes a fazer escolhas deliberadas de modelos, mantendo-se abertas a alternativas.
Colocando mais agentes em ação
Em nossa última edição, os agentes de programação foram o foco da maioria dos blips e temas. Desta vez, muitas propostas se concentraram em colocar mais agentes em ação, descrevendo principalmente pessoas desenvolvedoras executando várias sessões de agentes em paralelo e guiando cada uma delas. Outras descreveram a entrega de blocos maiores de trabalho aos agentes, que são executados por períodos mais longos, como execuções agênticas autônomas noturnas, onde pessoas desenvolvedoras definem as tarefas e revisam os resultados. Essa é uma abordagem mais leve do que as abordagens multiagente coordenadas que cobrimos em edições anteriores. Um time de agentes de programação atribui papéis aos agentes em um fluxo de trabalho predefinido. Os enxames de agentes de programação vão além, com agentes orquestradores dividindo e atribuindo o trabalho por conta própria. Em ambas as abordagens, as pessoas desenvolvedoras delegam mais tomadas de decisão. As Thoughtworkers estão em grande parte executando múltiplas sessões sob um controle mais direto, o que consideramos um ponto de partida sensato para as pessoas engenheiras.
Entre as muitas ferramentas que discutimos para gerenciar sessões paralelas, incluindo Claude Squad, T3 Code, Orca e Paseo, o Herdr despertou o maior interesse. A maioria inclui uma caixa de entrada de atenção (attention inbox) que organiza as sessões por status e prioriza aquelas que estão aguardando uma resposta ou aprovação. O Omnigent possui uma, e o Paseo permite que pessoas desenvolvedoras verifiquem as sessões pelo celular. Os Git worktrees dão a cada uma dessas sessões sua própria cópia de trabalho, embora possam deixar para trás um emaranhado de branches parcialmente integradas. Dentro de uma sessão, os subagentes assumem tarefas específicas e mantêm a exploração e retries fora do contexto principal. O AgentsView permite que pessoas desenvolvedoras revisem sessões passadas, enquanto o Hunk ajuda a revisar as alterações geradas por agentes.
À medida que as pessoas desenvolvedoras executam mais agentes, sua capacidade de atenção e revisão tornam-se gargalos. Quando a revisão não consegue acompanhar, a supervisão corre o risco de se tornar teatro de supervisão humana. A pressão se estende para as etapas seguintes. Quando várias pessoas desenvolvedoras executam, cada uma, múltiplos agentes, as alterações podem chegar mais rápido do que a esteira de entrega (delivery pipeline) consegue absorver. O mapeamento do caminho para produção ajuda a identificar onde o trabalho se acumula. Antes de adicionar sessões, as equipes devem considerar quanto seus processos de revisão e entrega conseguem suportar. A curto prazo, esperamos ver emergir mais práticas e ferramentas para orquestrar o trabalho baseado em agentes entre múltiplas pessoas engenheiras. Ferramentas como o Entire CLI, que compartilha sessões de agentes entre uma equipe, são um sinal inicial do interesse crescente em tornar o trabalho com agentes entre várias pessoas engenheiras mais eficaz.
Construindo AI factories
Embora as exigências de infraestrutura de IA tenham aparecido em vários volumes recentes do Radar, esta edição as traz para um foco muito mais preciso. À medida que o uso de IA generativa e de agentes se intensifica, as empresas estão descobrindo que a economia dos tokens se resume, em última análise, à economia da infraestrutura. O custo da IA depende não apenas do preço do modelo, mas também da seleção de modelos, roteamento, agrupamento (batching), movimentação de dados e da eficiência da plataforma subjacente. Grande parte da inovação necessária para tornar a IA economicamente sustentável está, portanto, localizada em camadas mais profundas da stack — e muitas vezes passa despercebida no radar de muitas pessoas.
Ao preparar esta edição, encontramos um ecossistema vibrante emergindo em torno da infraestrutura de IA. O Kubernetes, em particular, está se tornando uma base fundamental para o que às vezes é descrito como AI factories: plataformas estruturadas para executar cargas de trabalho de IA em escala. Vários blips ilustram essa mudança. O KServe e o KAITO oferecem suporte à disponibilização (serving) e implantação de modelos, bem como ao gerenciamento de cargas de trabalho otimizado para aceleradores. Mais acima na stack, o llm-d aborda a inferência distribuída e o escalonamento, enquanto o LiteLLM fornece roteamento e abstração entre modelos e provedores de inferência. A stack das AI factories também se estende além da computação para o armazenamento e redes. Tecnologias como o VAST DataStore atendem às demandas de armazenamento de alto rendimento de cargas de trabalho com uso intensivo de aceleradores, enquanto o Netris traz automação de rede definida por software para a infraestrutura subjacente, ajudando as equipes a provisionar e operar a conectividade de alta largura de banda da qual os clusters de IA dependem.
A mudança maior é que modelos, GPUs, motores de inferência, armazenamento e redes são cada vez mais gerenciados como recursos programáveis coordenados por uma camada de plataforma comum, tornando a infraestrutura de IA um fator central na economia de IA empresarial.
Conteúdos em destaque
Contribuidoras
O Technology Radar é preparado pelo Conselho Consultivo de Tecnologia (TAB) da Thoughtworks, composto por:
Rachel Laycock (CTO) • Alessio Ferri • Brandon Cook • Cecilia Geraldo • Chris Chakrit Riddhagni • Chris Ford • Effy Elden • Ken Mugrage • Kief Morris • Muhilvarnan V • Nati Rivera • Ni Wang • Renan Martins • Selvakumar Natesan • Shangqi Liu • Thiago Gregorio • Vanitha Kumar • Vanya Seth
O Volume 35 foi traduzido ao português por:
Ayrton Araujo • Carol Soares • Catarina Bressan • Geraldo Castro • Gustavo de Paula Andrade • Isabella Velleda • Maísa Mendes • Mayck Xavier • Pedro Cavalcante • Rafael Alves • Renata Silva • Vinícius Félix
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