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CORAGEM #


Liderança Adaptativa


“Líderes se preocupam com o futuro. Líderes adaptativos se preocupam em responder com rapidez suficiente para prosperar em um futuro incerto.”

— Jim Highsmith


Se você fosse uma árvore, como se comportaria em uma ventania? Espécies de tronco rígido, como o carvalho, quebram durante tempestades. O bambu se curva. Depois que o vendaval passa, ele volta intacto à posição original. Porque soube ser flexível. Se adaptou às circunstâncias, foi resiliente, sobreviveu. Deve ser por isso que em algumas culturas flexibilidade é sinal de vida.


Pense na natureza e em como os organismos se adaptam a um desafio no ambiente: as espécies mantêm a diversidade dentro dos indivíduos para que cada grupo consiga sobreviver a diferentes formas de seleção e depois voltar a aumentar a população com base nesse grupo sobrevivente. A analogia é feita pelo especialista em liderança adaptativa, Ronald Heifetz. É dele o conceito, que significa capacidade de mobilizar pessoas — em uma comunidade ou organização — para que consigam sobreviver e progredir mesmo diante de desafios que mudam a toda hora.


A ideia-chave é que a atividade de liderança não está vinculada a status, poder, autoridade ou posição, como muitas pessoas ainda acreditam. A liderança adaptativa não hesita em desviar-se do planejado quando percebe que a realidade não é como ela antecipou e faz isso sempre que necessário.


Para a biologia, adaptação é uma característica que melhora alguma função de um ser vivo e aumenta sua capacidade de prosperar. É a pequena mudança que faz a diferença. Psiquiatra de formação e exímio violoncelista, Heifetz é uma das maiores autoridades em liderança da atualidade. É cofundador do Center for Public Leadership da Kennedy School of Government (escola de administração pública de Harvard), atua como professor e consultor. Para explicar a teoria da liderança adaptativa, ele gosta de lembrar que o DNA do ser humano só tem 1% de mudança em relação ao do chimpanzé, o restante é tudo igual.


“Para adaptar, é preciso saber manter tanto quanto saber mudar, na natureza e nas organizações”, diz.


Principalmente na era da tecnologia e da informação. Porque vivemos cercadas por mudanças a todo o instante. De novos telefones a novas formas de ver e pensar o mundo. “Tudo muda o tempo todo” como canta Lulu Santos desde 1983.


E como sobreviver a tantas mudanças? A um cenário tão dinâmico?


“As lideranças adaptativas, em seus núcleos, compreendem que criar uma visão clara do futuro, experimentar rapidamente, encontrar novas medidas de triunfo e envolver clientes são componentes-chave do sucesso”, diz Jim Highsmith, consultor executivo na ThoughtWorks e autor de vários livros sobre liderança e agilidade.


Pois aqui na ThoughtWorks — entre outras coisas — a gente transforma ideias e conceitos ousados em realidade. Assim, a cada proposta desconstruímos aquele antigo conceito de não autonomia.


“Muitas pessoas pensam em tecnologia como uma ciência exata. Inclusive costuma ficar no mesmo prédio que as disciplinas de exatas nas universidades (matemática, engenharia e física). Eu acredito muito que deveria estar no prédio das biológicas, onde existe uma teoria para tudo, mas a certeza que tudo pode ser diferente é natural. Um remédio pode ter efeitos diferentes em duas pessoas, assim como soluções tecnológicas. Quando falamos de tecnologia, o primeiro passo é entender a complexidade e se sentir confortável com a incerteza. Um princípio da agilidade é ‘pessoas antes de processos’. Isso se encaixa muito com o ambiente complexo pois não conseguimos definir processos para algo que é incerto. E a liderança adaptativa ajuda que essas pessoas estejam prontas para responder a situações emergentes.” explica Flávia Delfim, gerente de projetos na ThoughtWorks.


Aqui, cada projeto tem um time montado sob demanda a partir de habilidades e competências técnicas, pessoais e interpessoais como comunicação e capacidade de resolver conflitos. Para atender às necessidades do projeto de forma alinhada às jornadas de desenvolvimento das pessoas.


Os times têm como parte da sua rotina refletir periodicamente sobre como estão trabalhando e, a partir dessa reflexão, adaptar seu processo e suas práticas de trabalho. Uma vez que novos desafios podem aparecer durante o andamento, novas habilidades se fazem necessárias e caso seja observado algum tipo de demanda que o time não atenda naquele momento, novas pessoas passam a compô-lo, em um processo contínuo de evolução e adaptação.


E a cliente sempre faz parte. Já que o software não existe por si só. Ele existe para resolver um problema, melhorar um processo ou explorar uma nova oportunidade de negócio e, assim, trazer valor para uma pessoa, organização ou comunidade. Significa que nossa medida de sucesso não pode ser somente o software construído e entregue, mas a entrega do valor que a cliente espera como resultado da construção deste software.


E quem melhor para avaliar esse resultado que a própria cliente? Ninguém. Sua presença real também traz mais transparência ao desenvolvimento, uma vez que há total visibilidade das decisões e atividades. E podemos trabalhar dentro da nossa metodologia ágil, que entre muitas outras coisas tem como princípio a entrega contínua ou ciclo de feedback, um conjunto de técnicas e práticas de desenvolvimento de software cujo objetivo é manter o código sempre em estado “entregável”, isto é, pode ser colocado em produção a qualquer momento o tempo inteiro.


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Para John Kotter, professor da Harvard Business School e especialista em liderança, cultura organizacional e gestão da mudança, a função primária de uma liderança é justamente produzir a mudança. Cabe a ela identificar os tipos de perdas que precisará impor à equipe e como lidará com elas, ao mesmo tempo que deve engajar e mobilizar as pessoas no processo. A velocidade de transformação que a tecnologia impõe a organizações e à sociedade como um todo é brutal ­ — e está aumentando. Pessoas em posições executivas e estratégicas dentro das organizações precisam urgentemente aceitar tecnologia como um vetor de mudanças — tanto operacionais, quanto de modelo de negócio quanto de mercados — e catalisar essas mudanças dentro da organização, sendo agente ativo de transformação. É cada vez mais necessária para essas líderes a habilidade de compreender os avanços da tecnologia, transformando-os em mais valor para suas clientes e para a sociedade.


Entre tantas adequações, o luto, é claro faz parte. Assim como a lagarta que abandona o casulo para ganhar asas e se transformar numa borboleta, a mudança, em uma empresa, pode significar descartar metade do que algumas funcionárias conhecem sobre seu trabalho. E não é fácil para ninguém aceitar abrir mão de algo. No entanto, você já sabe: é preciso adaptar-se ao vento para que ele não nos derrube. E a cada passo, se perguntar “isso me afasta do meu objetivo? Se a resposta for sim, se faz urgente a criação de uma nova estrada. Pois como diz aquela música que não por acaso se chama Acima do Sol, “o caminho só existe, quando você passa”.


Para saber mais:


Adaptive Leadership: Accelerating Enterprise Agility, de Jim Highsmith.


The Practice of Adaptive Leadership, Leadership without Easy Answers e Leadership on the Line, de Ronald Heifetz


Liderando Mudanças - Transformando Empresas e o Coração da Mudança, de John P. Kotter.

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