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Mudança Constante é o Novo Normal

Relatos do ParadigmShift em Nashville

A noção de que estamos vivendo em um mundo de mudança contínua esteve presente em todas as palestras no ParadigmShift, em Nashville. Eu fiquei muito atraído pelo segmento intitulado “A Tecnologia Domina o Mundo." Dentro desse tema, participantes exploraram as forças de disrupção que estão agindo sobre suas empresas, enquanto palestrantes ofereceram observações especializadas sobre essas forças e estratégias para atenuá-las.

Mudança constante é o novo normal

Primeiramente, Mat Henshall, líder de Internet das Coisas da ThoughtWorks, deu um panorama de como a Internet das Coisas representa a automação em uma escala nunca vista antes. Começamos analisando uma das maiores disrupções do século passado – a substituição do cavalo e da charrete pelo automóvel. Nesse caso, começamos em um cenário no qual as ruas do país se encontravam repletas de estrume de cavalo e as administrações das cidades estavam desesperados para se livrar do problema. Sua preocupação se tornou irrelevante quando os automóveis invadiram as ruas, apenas uma década depois.

Nos últimos anos, essa tendência de automação começou a vir à tona em uma indústria após a outra: agricultura, serviços profissionais e preparação de alimentos em casa. Como Mat destacou, na era das máquinas, o capital está substituindo o trabalho, o que gera consequências. Estamos efetivamente caminhando em direção a uma era em que o valor do trabalho vai diminuir. Isso será seguido por um realinhamento massivo da força de trabalho e por uma potencial extinção de determinadas indústrias. Certamente as pessoas terão muito mais tempo em suas mãos, mas a que preço?  

Um sentimento que se destacou para mim durante essa conversa foi o questionamento do porquê nós como humanos temos buscado tanto a automação. A resposta parece girar em torno de ter mais tempo livre para passar com nossas famílias e amizades. Esse ponto ficou claro para mim durante o segmento sobre potencial de automação para cozinha: o conceito do “chef-robô” é intrigante. É fácil imaginá-lo sendo interpretado de diferentes formas, baseadas em serem otimizadas para a eficiência ou para a experiência (leia-se: cantinas x restaurantes finos). Indiscutivelmente o contexto vai determinar a direção do chef-robô, mas acredito que os dados que temos sugerem que, acima de tudo, as pessoas gostariam de otimizar pela experiência. Cabe a nós como líderes otimizar para o tipo certo de experiência de cliente.

Além de big data para insights em tempo real

Vivemos em uma era na qual quantidades impressionantes de dados são criadas, promovidas e consumidas todos os dias. Também estamos bem cientes da conclusão trágica de que muito pouco dessa informação tem fornecido insights que ajudem as pessoas a melhorar suas vidas e seus trabalhos. Tem havido um lampejo de esperança dentro de grupos de praticantes de small data. Essas pessoas pioneiras conseguem enxergar além do hype para encontrar valor real em meio aos dados web e sociais gerados pelas empresas modernas. 

Brian Elliott, CEO do Periscope, apresentou uma perspectiva animadora sobre como sua empresa gera insights praticáveis a partir de big data. Em sua palestra, ele nos apresentou exemplos detalhados de como empresas estão delegando o poder de precificação a funcionário da linha de frente. Ele explicou como insights de dados, anteriormente obtidos pelo contato direto com clientes, são agora obtidos através da análise de dados de buscas e de vendas. Efetivamente, empresas estão enriquecendo seus recursos de big data com dados de fontes públicas e dados novos de mecanismos de busca e mídias sociais. Esse produto de dados novos é valioso até mesmo quando os dados são anônimos. Estando ele nas mãos de quem trabalha na linha de frente, empresas de varejo a finanças podem reduzir o tempo para gerar valor drasticamente.  

Descobri que essa ideia de democratização da força dos dados é contagiante. Se conseguirmos empacotar esse tipo de força analítica, disponibilizando-a para pequenos negócios ou diretamente para clientes, isso pode ser transformador em uma nova escala. Eu, pelo menos, estarei em busca de tecnologias que levem análises de dados avançadas a pequenos comércios e profissionais independentes!

O valor da nuvem é tornar suas pessoas mais produtivas

Em uma animada sessão de perguntas e respostas, Adrian Cockcroft da Battery Ventures colocou que empresas precisam permitir a elas mesmas colher os benefícios da nuvem e da virtualização para oferecer valor. Áreas complicadas como auditorias PCI e criação de ambientes de teste para novos serviços podem ser automatizadas à distância, entretanto, isso requer uma nova forma de pensar.  

Muitas empresas tendem a cometer o erro de achar que essa plataforma é puramente composta de tecnologia, afirma Ryan Murray, diretor do Laboratório de Engenharia Aplicada da ThoughtWorks. Plataformas bem-sucedidas são constituídas de tecnologia, sim, mas também de pessoas e competências. Ou seja, pode-se investir em uma plataforma como serviço (PaaS ou Platform-As-A-Service) para simplificar a operação do negócio, mas se sua empresa não entende filosoficamente os benefícios da Entrega Contínua, o que você ganha com isso?  

Empresas que estão provocando disrupções em suas indústrias conseguem fazê-lo encontrando um ingrediente-chave de tecnologia para escalar sua taxa de crescimento de uma forma não-linear. A criação de uma plataforma é frequentemente o ponto de mudança para esse crescimento necessário. Uma boa ilustração desse ponto, ainda que exagerada, é o Uber: sua plataforma para envio de carros e coleta de pagamentos foi o que o diferenciou, tornando irrelevante o fato de que a empresa não possuía seus próprios veículos. Sua plataforma está literalmente se expandindo com a abertura de sua API para diferentes provedores de serviço que querem alavancar seus sistemas de transporte no back-end para serviços como entrega de pacotes. 

Murray continua a salientar que a capacidade tecnológica deve ser complementada por uma cultura enxuta e experimental para se conquistar uma plataforma para o crescimento. Essa cultura, composta por pessoas, competências, experimentos e aprendizagem, é um investimento que precisa ser feito por lideranças.

Capacidade tecnológica

Então, como começamos a estabelecer essas ligações de plataforma? Rompendo as barreiras entre TI e negócios, insistiu Emre Ekmecki, presidente do Dogan Online na Turquia, em um painel de discussão. Ambos precisam trabalhar juntos em times multifuncionais para que exista inovação.

Tecnologia é frequentemente a parte mais simples da transformação

É irônico, mas uma vez que você encontra o talento certo e adquire a melhor tecnologia, você mal alcançou a superfície da criação de uma empresa de entrega de alta performance. Esse sentimento foi minha principal lição depois de ouvir minha colega e Diretora de Tecnologia da ThoughtWorks, Rachel Laycock. Apropriando-se de Daniel Pink, ela desafiou participantes a dar autonomia para seu pessoal técnico conduzir soluções que melhorem sua produtividade e seu domínio do ofício por meio de um ambiente de aprendizagem contínua. Ela também observou que um senso de propósito, informado pela visão geral da empresa, era essencial para reforçar os outros elementos. Rachel descreveu esse tipo de ecossistema como um “Ambiente de Aprendizagem Contínua” que apoia a educação contínua para os indivíduos e para a empresa à medida que o trabalho se desenvolve.
  

Ambiente de aprendizagem contínua

Foi reconfortante ouvir o sentimento da sra. Laycock ecoar nas palestras de convidados de outras indústrias. Particularmente, eu achei a palestra de Stewart Holmes, do Barclaycard, muito alinhada. Ele falou do acrônimo de sua empresa para o sucesso: DDLA (Design, Dados, Lean - enxuto - e Ágil). Nesse modelo, as pessoas estão no centro de todas as soluções que a companhia desenvolve, sejam elas consumidoras e clientes, colegas ou cidadãs. Dados sobre as interações entre essas pessoas são usados para criar experiências melhores. O pensamento lean é utilizado para priorizar soluções de inovação e Ágil fornece a liga em termos de gerenciamento de equipe e práticas de engenharia para unir tudo.

Design, Data, Lean, Agile

O que as lideranças podem fazer

Minha maior lição dos dois dias de evento foi que a função principal da liderança no apoio à inovação moderna de uma empresa é ajudar a fornecer esse conjunto de estruturas de reforço que permitem aos times executar seu melhor trabalho. Com frequência escutamos sobre missão e cultura como pilares para um ecossistema saudável, mas elas não são suficientes. Precisamos pensar sobre a estrutura de apoio às pessoas. Isso requer camadas, não de gerenciamento, mas de feedback, performance e conhecimento sobre a indústria para fornecer um ambiente de aprendizagem contínua para os indivíduos e para a organização. Estou ansioso para avaliar a mim mesmo e ao meu time, enquanto volto para o escritório para ver o quanto posso aplicar daqui para frente.