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Criando o metaverso

Explorando as fronteiras da interação digital

 

 

Não há como negar a empolgação em torno do metaverso agora — ou que essa empolgação esteja impulsionando investimentos reais de negócio. Somente a Meta investiu mais de US$ 10 bilhões no metaverso no ano passado e, embora isso tenha sido tratado com ceticismo por alguns grupos de investimento, muitas outras empresas estão seguindo o exemplo. 

 

Alguns investimentos no metaverso serão úteis. No entanto, em nossa opinião, o metaverso é muitas vezes uma distração em relação a uma mudança maior: uma nova fronteira de interação em evolução. Essa evolução incorpora uma infinidade de outras tecnologias em rápido avanço, incluindo realidade virtual, aumentada e estendida (VR/AR/XR), bem como voz, gestos e reconhecimento facial. Além do mais, essas tecnologias já estão "aqui" e provavelmente serão imediatamente relevantes para os negócios de uma forma que o metaverso — pelo menos por enquanto — ainda não é.

 

Há nitidamente algum grau de ‘FOMO’ entre as marcas à medida que profissionais de marketing correm para experimentar coisas como NFTs ou shows em mundos virtuais. Isso pode ser resultado de terem perdido a onda das mídias sociais ou do metaverso ter sido agrupado na onda da Web3. Na realidade, a tecnologia do metaverso se destaca. O metaverso poderia muito bem ter sucesso sem criptomoedas, identidade distribuída ou outras armadilhas da tecnologia Web3.

 

 

Os sinais incluem:

 

A acessibilidade e a ergonomia do hardware popularizam ainda mais formas de interação em evolução. A tecnologia de AR em cores da Quest Pro bem como o headset de visão periférica deliberadamente aberto são bons exemplos. Também há rumores sobre o headset da Apple, embora nenhum anúncio oficial tenha sido feito. A Apple tem um histórico de garantir que o conteúdo atinja uma certa massa crítica antes de anunciar o hardware para acessá-lo. 

 

Mais cinismo em torno do próprio metaverso. A Meta, a mais proeminente defensora do espaço, vem sendo pressionada por acionistas a cortar pessoal e gastos no metaverso. E embora muitas empresas de pesquisa alardeem o potencial de crescimento do metaverso, nem todas estão de acordo. A Canalys previu que a maioria dos esforços do metaverso terá seu fim até 2025

 

'Gêmeos digitais' dando origem ao metaverso industrial. Apesar de todo o foco no metaverso do 'varejo', no qual as marcas interagem diretamente com clientes, é na verdade a versão corporativa que pode ganhar força primeiro. Organizações como GE Formula One e Ford Motor estão empregando gêmeos digitais — modelos virtuais de um processo, produto ou serviço que permite simulação e análise de dados — para monitorar, otimizar e experimentar criações complexas. Os gêmeos digitais incorporam cada vez mais AR, VR e IA para reduzir ainda mais a lacuna entre ativos físicos e suas contrapartes virtuais. A McKinsey enxerga uma rede de gêmeos virtuais construindo as bases para um metaverso industrial massivo que transforma os processos de desenvolvimento e abre caminho para melhores tomadas de decisão, e empresas como NVIDIA e Siemens já estão avançando para fornecer a infraestrutura necessária

 

Avanços em haptics permitindo que usuários “sintam” as interações virtuais. O XR pode ser incrivelmente imersivo audiovisualmente, mas a ilusão é quebrada assim que você tenta tocar em algo. Até recentemente, todas as entradas XR dependiam de controladores portáteis ou telas sensíveis ao toque. À medida que o rastreamento de mãos e o reconhecimento de gestos substituem botões e controles, as pessoas desejam cada vez mais estender a mão e tocar em objetos virtuais. Luvas haptic de alta resolução — bem como relógios e macacões — podem levar a experiência para o próximo nível.  

 

Os avanços na tecnologia de jogos oferecem experiências imersivas e de alta fidelidade. Há muito progresso na indústria de jogos que possivelmente é fundamental para um metaverso voltado para clientes. A tecnologia fundamental inclui gráficos fotorealistas, a capacidade de comportar grandes multidões de avatares de jogadores em um mesmo universo virtual, além de ferramentas fáceis de usar permitindo que mais pessoas construam mundos virtuais.

 

 

As oportunidades 

 

Desenvolvimento de gêmeos digitais para testar, aprender e aumentar a certeza. Em ambientes como fábricas ou outros que tenham máquinas em campo, existe um potencial significativo para usar a visualização 3D e dados ao vivo para entender melhor o que está acontecendo com equipamentos para identificar problemas de manutenção antes que resultem em falhas. Os gêmeos digitais também permitem que as empresas testem ou prototipem com um maior grau de precisão antes de criar ou implantar um produto de forma definitiva e fornecem a equipes fisicamente distribuídas uma nova plataforma para colaboração.

 

Oportunidade de encontrar e se conectar com o público de novas maneiras. O metaverso e outras tecnologias emergentes criam espaço para marketing ou exposição da marca a grupos de clientes que, de outra forma, sua empresa teria dificuldade em alcançar. Essas tecnologias podem ser aplicadas para tornar as interações mais acessíveis, multimodais e fluidas, com muito menos restrições quanto a localização, dando à noção de “atender clientes onde estão” um significado totalmente novo. As possibilidades variam de outdoors no metaverso a experiências imersivas de AR ou VR que criam expectativas para um evento ou produto.

 

Tornar o treinamento mais eficaz e impactante. Ao empregar realidade virtual ou aumentada, fabricantes podem demonstrar e ensinar habilidades como acabamento de materiais com maior exatidão, reduzindo a probabilidade de erros posteriores, bem como a quantidade de desperdício de material gerado em um determinado processo. Essas tecnologias também fornecem um meio de preparar a equipe para eventos de alta pressão, como a Black Friday, ou reproduzir e ensaiar com precisão para possíveis situações de emergência para aumentar a prontidão.

 

Habilitar clientes a usar os produtos de maneira mais eficaz, explorando novos meios de interação para "mostrar" em vez de contar, e dar vida a manuais de instruções ou instruções de montagem. Além de reduzir potencialmente os custos de suporte e as taxas de devolução, a prática tem o potencial de contribuir para a satisfação e, em última análise, para a fidelidade de clientes, já que mais pessoas usam os produtos com segurança e da maneira a que se destinam.

 

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O que temos visto

Uma pesquisa encomendada pela Reece, fornecedora líder de produtos de banheiro, encanamento, sistema hidráulico e HVAC-R da Austrália, constatou que mais de um terço entre profissionais que atuam reformando banheiros concordaram que um de seus maiores pontos problemáticos era não conseguir visualizar o resultado final.

A Reece se juntou à Thoughtworks por sua experiência integrada em tecnologia, design e inovação digital, para desenvolver uma ferramenta moderna de planejamento de banheiro em 3D. O Imagin3D permite que clientes criem uma planta baixa, escolham produtos e dêem vida a seus projetos antes de se comprometerem com a compra. Profissionais de consultoria de showroom da Reece e profissionais independentes também usam a ferramenta para fechar contratos e propostas de renovação.

Embora o Imagin3D não use XR — e possa ser acessado usando um navegador web comum — é um excelente exemplo de como envolver clientes de novas maneiras com uma experiência que vai muito além de um site 2D. Nos primeiros três meses, a ferramenta ajudou mais de 30.000 clientes a dar vida aos banheiros dos seus sonhos. A Reece continuará a atender clientes onde quer que estejam, com testes e feedback proativos para informar como a ferramenta de visualização pode resolver seus desafios em outras partes da casa.

 

Tendências para ficar de olho

 

Adote

 

Gêmeos digitais: modelos digitais de processos físicos, ativos ou serviços permitem ver o que está acontecendo com equipamentos ou processos em tempo real e até simular o que aconteceria se as circunstâncias ou a configuração fossem alteradas. Como exemplo, a GE constrói gêmeos digitais para seus motores a jato, obtendo dados em tempo real de dezenas de sensores em cada um. Usando aprendizado de máquina, os dados são extraídos de dezenas de sensores reais para centenas de sensores virtuais e usados para melhorar a confiabilidade e realizar manutenção preventiva.

 

Avalie

 

Mídia gerada por IA: tornou-se muito mais fácil gerar interações realistas usando IA e tecnologias de processamento de imagem, para o bem e para o mal. Isso pode ser usado para coisas tão simples quanto anúncios curtos em serviços de streaming de vídeo, quanto para criar falsificações complexas que espalham desinformação. A arte gerada por IA tornou-se moda, irritando artistas humanos no processo, embora, infelizmente, seja frequentemente associada aos esquemas NFT que vendem acesso à arte.


Antecipe

 

Interoperabilidade do metaverso: O fundador da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou valorizar a capacidade das implementações do metaverso de funcionar em conjunto umas com as outras. Na prática, a ideia de que empresas como a Meta permitam que usuários tenham acesso ao seu conteúdo sem assinar seus serviços não nos convence. Até agora, certas implementações de metaverso, como Horizon Worlds, funcionam apenas no hardware da fornecedora. Mas existem iniciativas como OpenXR – apoiada pela Qualcomm, Lenovo e Microsoft – que podem eventualmente viabilizar que os aplicativos XR funcionem facilmente em vários dispositivos. Padrões abertos para recursos-chave como rastreamento de gestos, gêmeos digitais, haptics e identidade podem ter implicações positivas para a adoção.

 

 

Tendências para ficar de olho: o que estamos vendo agora

Adote
  • Casas conectadas
  • Gêmeos digitais 
  • XR empresarial
  • Processamento de linguagem natural
  • Sistemas e ecossistemas inteligentes
Avalie
  • Mídia gerada por IA
  • Soluções combinadas de IA, IoT e XR
  • Moedas alternativas
  • Realidade aumentada
  • Robôs autônomos
  • Consumidores XR
  • Reconhecimento facial
  • Áudio espacial
  • Interações sem toque
Antecipe
  • Colaboração entre IA e realidade misturada
  • Tecnologia viciante
  • Reconhecimento de gestos
  • Renderização remota
  • Conectividade onipresente

 

Recomendações para quem quer adotar 

 

Na corrida para o metaverso, não negligencie outras interações em evolução. A verdadeira extensão da relevância de negócio e do apetite de clientes pelo metaverso ainda não foi totalmente compreendida. No entanto, já é possível aplicar tecnologias como XR para criar novas interfaces, canais de comunicação e experiências imersivas para clientes ou profissionais da empresa, muitas vezes com benefícios diretos de curto prazo em termos de engajamento da marca ou produtividade.

 

Tendo isso em mente, observe atentamente o desenvolvimento do metaverso e procure avanços, até mesmo possíveis investimentos, que possam beneficiar seus negócios. Pode não haver um caso de negócio evidente para participar do Horizon Worlds, mas a pesquisa quase certamente levará a avanços XR, como gêmeos digitais, que podem ser inestimáveis em um ambiente industrial.

 

Prepare-se para ir onde clientes estão. Marcas pioneiras se adaptam constantemente, atendendo clientes nativos digitais por meio de qualquer aplicativo ou experiência mais relevante. Se clientes começarem a migrar para novas plataformas de metaverso ou adotar AR em uma escala significativa, as empresas devem estar prontas para estar lá.

 

Lembre-se de que haverá muitos metaversos, pelo menos no início, apesar da tendência das fornecedoras em apresentar o seu como o único que importa. As empresas que podem se dar ao luxo de espalhar suas apostas em mais de uma plataforma promissora para experiências digitais certamente devem fazê-lo onde houver um provável caso de negócio.

 

Pense cuidadosamente sobre como você deseja que sua empresa seja percebida por meio de tecnologias de interação emergentes. Por exemplo, se você está implementando um bot de voz, ele é autoritário ou simpático? Se você está construindo uma experiência 3D, ela transmite os valores da sua marca? Quase todas as empresas se esforçam significativamente para moldar a sensação de seu espaço físico para clientes e investem pesadamente para garantir que esse espaço ofereça uma experiência de qualidade. Um processo e recursos semelhantes devem acompanhar a criação de espaços virtuais.

 

Não economize na tecnologia de interação. Coisas como interfaces de voz e reconhecimento de gestos avançaram significativamente e têm claro potencial para melhorar o relacionamento com clientes, mas as expectativas evoluíram em conjunto. Quaisquer soluções que não ofereçam suporte a interações de alta qualidade, quase humanas e quase instantâneas – com ótimos visuais para combinar – podem fazer mais mal do que bem às percepções de sua marca.

 

Tenha uma estratégia de desenvolvimento de talentos de interação. Novas formas de interação exigirão habilidades correspondentes que podem não existir atualmente em sua equipe. As empresas que decidirem participar de um metaverso, por exemplo, precisarão ensinar as pessoas desenvolvedoras sobre a tecnologia do metaverso ou contratar pessoas da indústria de jogos que projetaram e construíram mundos virtuais e treiná-los em tecnologia empresarial. Em quase todos os cenários, explorar novas interações exigirá uma curva de aprendizado organizacional.

Sem uma bola de cristal funcionando, é impossível prever o futuro do metaverso. O que podemos fazer é tentar entender onde está o metaverso hoje, as diferentes direções que ele pode seguir e as oportunidades que existem para quem adotar primeiro.
Cam Jackson
Lead XR Researcher, Thoughtworks Australia

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