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Repensando a TI para o mundo digital

Em meu artigo anterior eu falei sobre como a TI se tornou estratégica devido às exigências do mundo digital. A TI estratégica não pode se justificar usando métricas próprias da TI, como velocidade do time ou até mesmo entregas dentro do planejamento. Ela precisa fazer diferença para os resultados do negócio.

Reworking IT for Digital Success

A agilidade na TI assume um novo significado sob essa perspectiva. Não basta afirmar que nossas equipes de desenvolvimento são agéis. Agilidade na engenharia e agilidade no processo de entrega são necessárias, mas não garantem o sucesso no mundo digital.

A tabela abaixo esclarece a questão.
 

Nível de agilidade
Características
Benefícios
Desvantagens
#1 Agilidade na equipe de desenvolvimento Integração contínua, TDD/BDD, Scrum ou equivalente Velocidade sustentável
ambiente de testes confiável
Não aborda as etapas anteriores (dando forma à funcionalidade) e posteriores (colocando em prática) do fluxo de valor.
#2 Agilidade na equipe de DevOps Entrega contínua. Build pipelines automatizados até a produção. Releases frequentes Normalmente aborda apenas elementos posteriores do nível #1, já que abordar etapas anteriores requer cooperação do negócio.

A tabela acima ilustra o escopo típico da TI ágil. A TI estratégica, no entanto, ainda precisa do seguinte:
 

Nível de agilidade
Características
Benefícios
Desvantagens
#3 Agilidade na equipe de produto ou de solução Equipe multifuncional incluindo também product owners, designers e possivelmente pessoas das áreas de vendas e marketing de conteúdo. Desenvolvimento verdadeiramente iterativo, ao contrário do desenvolvimento baseado em planejamento de release.
 
Tempos mais curtos de ciclo ponta a ponta. Possibilidade de modelar uma funcionalidade a partir de aprendizados recém-adquiridos na produção. Uma real receptividade do mercado pode não acontecer devido a um déficit de agilidade organizacional (como explicado abaixo).
#4 Agilidade nos negócios TI centrada no produto ou nas capacidades (ao contrário da TI centrada no projeto). Ênfase organizacional no valor, e não no planejamento; na capacidade de resposta, e não no custo-eficiência. Real receptividade do mercado. Não se aplica

No que diz respeito a essa tabela, a indústria está por toda parte. Do ponto de vista do desenvolvimento de software, classifico a indústria de TI como:

  1. Fornecedores independentes de software (Independent Software Vendors - ISVs): quando o software em si é o negócio.
  2. Negócios de Internet: quando a plataforma do software é o produto, como é o caso de e-commerces e sistemas secundários em geral.
  3. O resto da TI empresarial: quando a TI atende a um negócio nos bastidores

Grandes setores da TI empresarial estão tendo problemas com os níveis #1 (agilidade na equipe de desenvolvimento) e #2 (agilidade na equipe de DevOps). Eles afirmam praticar desenvolvimento ágil de software e DevOps, mas os benefícios reais observados não coincidem. E ainda que fornecedores independentes de software e negócios de Internet estejam um pouco à frente da curva, é comum que tenham dificuldades com os níveis #3 e #4. Suas tentativas muitas vezes não conseguem fazer a diferença esperada nos resultados de negócios.

Mas por que isso acontece? Sua doutrina de governança corporativa, instrumentos de controle de gestão e estrutura de equipes precedem às metodologias agéis e portanto não estão preparados para entregar agilidade organizacional de forma geral.

Uma mudança estrutural começam com um entendimento dos méritos e deméritos da organização por função. Por exemplo, considerando que a TI por si só é uma função, uma organização matricial de TI resulta em uma organização funcional dentro de uma função, prejudicando assim a responsividade. Mudanças operacionais começam pelo reconhecimento de que desenvolvimento de software é um processo de design, enquanto nós normalmente tentamos conduzi-lo como um processo de produção. Daí a busca tradicional de previsibilidade e negligência pelos benefícios reais observados (valor). Mudança cultural resulta principalmente de mudanças na forma como trabalhamos e na forma como as lideranças se comportam. Alguns defendem uma intervenção deliberada, entretanto, é útil no que diz respeito à disseminação de normas desejáveis e uma cultura de comunicação com propósito e hierarquia enfraquecida.

É imperativo revitalizar a TI para além da equipe de DevOps, para assim prepará-la para o mundo digital, e a forma de fazer isso é através de uma combinação de mudanças estruturais, operacionais e culturais.

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