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CORAGEM #5


Decisões, conexões, possibilidades


Renata Gusmão e Roberta Albuquerque


Nenhuma decisão (certa ou errada) é inteiramente racional. Escolhas e definições dependem de uma combinação de instinto, experiência e razão. Além disso, o consenso não existe e nem todas as decisões são tomadas por quem vai de fato, executar o que foi pensado. E nós, pessoas do mercado de trabalho neste momento, viemos de uma educação tradicional bastante limitadora, que nos levou a passar uns bons anos da vida obedecendo ordens de alguém que detinha o conhecimento, ou seja, sem autonomia de pensamento.


Esses fatores, quando somados, levam à insegurança na hora da tomada de decisões. Existe o medo de cometer uma injustiça, pois nós temos viéses e sensos de ética e justiça que vão sendo lapidados durante o tempo, receio pelo impacto que isso pode causar e preocupação sobre como será a reação da pessoa atingida.


E verdade seja dita, a tomada de uma decisão, por depender de um grupo pequeno de pessoas pode sim ter um impacto quase devastador sobre a cultura e o clima da uma organização. Sobretudo quando as decisões são focadas apenas em excelência, por vezes esquecendo que gente não é estática, nem definida por cargos e, jamais, recurso.


Tendo isso em mente, existem alguns caminhos que podem ser percorridos na busca por escolhas mais assertivas. Antes de seguir por qualquer um deles, é importante entender o que é autonomia. Aqui, é escolher de acordo com nossos princípios, optar por algo depois de abrir espaço para a discussão, realmente ouvir o que as pessoas ao redor dizem e pensam, alinhar propósito e foco para um objetivo final coletivo.


Depois, aceitar que, na maioria das vezes, vai ser um processo desconfortável e de possível exposição, no qual é preciso entender que nem sempre seremos absolutamente justas, mas precisamos estar em uma busca constante para que isso aconteça. Como no poema de Fernando Birri, citado por Eduardo Galeano no livro ‘Las palabras andantes. “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”


É importante ter uma certeza: não decidir também é uma decisão. Silenciar pode ser arriscado e impactar pessoas, muitas vezes de modo negativo, portanto, se manter disponível para mudar a rota é útil, desde que o primeiro passo aconteça.


Também se faz necessário estar consciente do que é seu e o que é das outras pessoas. O “pesar na balança” dialoga também com valores internos. Porque não existe diferença entre quem você é no trabalho e quem é na vida pessoal.


Além disso, para futuros diálogos, tenha em mente o quanto de tempo você investiu estudando sobre o tema, o quanto de exercício foi realizado para minimizar impactos; como a mensagem foi estudada para ser passada da melhor forma possível.


E, mesmo depois de amarrar todas as pontas sobre o que foi decidido, se faz necessário olhar para trás e refletir sobre a posição tomada. Nem sempre é, foi, será a mais acertada. Revisitar a situação anterior e estudar como poderia ter feito melhor é reconhecer possíveis falhas, é ajustar comportamento e/ou comunicação.


Importante lembrar que um ambiente favorável para questionamentos e com nitidez sobre situações diversas dentro da organização inspira e conquista confiança, principalmente quando a fala é congruente com a sua prática. Ou seja, sempre que impossível, basear a tomada de decisões em Ghandi, líder pacifista e uma das grandes personalidades do século XX. “Acreditar em algo e não o viver é desonesto”.


Fácil? Não. Impossível? Também não. Vamos em frente.

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