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CORAGEM #1


A coragem da mudança


Mudança é a capacidade de se adaptar para resolver problemas para os quais não temos ainda o conhecimento. Modificar é alterar o caminho. Pode ser para alcançar o mesmo objetivo ou objetivos diferentes. O que é certo hoje pode não ser amanhã ou daqui a uma hora. Na biologia, existe uma teoria em evolução que é da presa e do predador. O predador sempre muda para pegar mais presas. A presa sempre muda para conseguir fugir mais do predador. No final, o predador continua sempre capturando a mesma quantidade de presas e a mesma quantidade de presas continua fugindo do predador. É um equilíbrio dinâmico que parece imutável. Parece.


Quando pensamos no mundo da tecnologia e dos negócios, entendemos que é imperativo mudar a forma de fazer negócios, de se relacionar com as clientes e de se pensar o agora.


O advento do comércio eletrônico de mobilidade (entre outros fenômenos contemporâneos), mudou radicalmente o jeito que as pessoas interagem com produtos e serviços. Se antes, na maioria dos segmentos, a tecnologia era utilizada para melhoria operacional e redução de custo, hoje ela tem papel preponderante no crescimento das empresas, sendo a espinha dorsal da grande maioria dos negócios surgidos desde a virada do século.


Vimos esse fenômeno no varejo e na indústria de equipamentos de uso pessoal que foram substituídos pelos telefones celulares, por exemplo. Nossa forma de ver, entender e sentir é completamente nova e ainda bastante desconhecida. Para você ter uma ideia, hoje em dia uma edição do jornal New York Times tem mais informação do que uma pessoa recebia durante toda a sua vida 300 anos atrás. Existem hoje aproximadamente 3 bilhões de sites, 1 septilhão de bits de informação. E em 2020 — daqui a apenas 3 anos — esses números podem ser até 6 vezes maiores.


Ao mesmo tempo, a mentalidade de negócios que está estabelecida é fortemente baseada nos avanços da administração ao longo do século passado. E o modelo de gestão norte-americano predomina como o padrão. Assim, uma reunião de trabalho tradicional vai separar estratégia de execução, vai discutir metas por função organizacional (e não por fluxo de valor*), gerar incentivos focados em curto prazo, reconhecer mérito individual e não avanço coletivo, e dividir o trabalho em etapas como linha de produção.


A maioria das empresas estabelecidas foi planejada para negócios, processos e trabalhadoras do século XX (quando não do século XIX), quando os ganhos de produtividade estavam relacionados a padronização e economias de escala. Os negócios do século XXI dizem muito mais respeito à customização e personalização. A tecnologia já nos permite isso, porém o ciclo tradicional de planejamento financeiro, o modelo taylorista** de gestão e a própria legislação ainda não.


Significa? Cada vez menos as fórmulas de MBAs trazem o ferramental para encontrar novas soluções.


Então, o tipo de mudança que estamos falando não é apenas de adquirir uma ou outra competência, mas de mudança de perspectiva de pensamento. O trabalho do século XXI é complexo, colaborativo, interconectado, e as respostas já não vem de um grupo seleto de pessoas pensando em uma sala, mas sim da experimentação e do aprendizado contínuo, combinado com a capacidade de se adaptar a todo instante. Não é por acaso que o relatório The Future of Jobs, do World Economic Forum, elenca a capacidade de resolver problemas complexos, criatividade, empatia, pensamento crítico, inteligência emocional, entre outras como as principais habilidades da nova trabalhadora.


Sendo assim, não basta falar em autonomia, respeito às pessoas, baixa hierarquia, transparência e decisões baseadas em evidências. Se acreditamos que essas práticas melhoram o desempenho das empresas, precisamos estar dispostas a ver alguns dos nossos princípios mais arraigados serem questionados. Além de entendermos cada vez mais a tecnologia como parte da resposta. Ou seja, a concepção de soluções de negócio é totalmente integrada à tecnologia e sua evolução — já não se pode mais separar esses dois mundos.


Isso tudo exige coragem, até porque pode levar a questionamentos a respeito da importância/necessidade do papel que exercemos e do negócio que temos hoje. E coragem nada mais é do que agir com o coração. A palavra, por vezes acompanhada de um certo heroísmo destemido, parece exigir a completa ausência da insegurança e do temor para que possamos realmente sentí-la. Um equívoco de interpretação que pode nos levar a esquecer que a coragem também é sentir medo, identificar contradições, abraçá-las. E ir em frente.


Vamos juntas?



3 perguntas para Guilherme Soárez, CEO da HSM Educação Executiva


O que é mudança?

Considero que há uma distinção entre os conceitos de mudança e transformação. Mudança é um evento pontual que ocorre em um determinado elemento do sistema num intervalo estabelecido de tempo. Já a transformação é mais ampla e processual. Ocorre em vários elementos do sistema num intervalo de tempo indeterminado, porque não se pode estabelecer quando vai ser concluída já que vários elementos do sistema permanecem indefinidamente em transformação.


Por que mudar algo que está dando certo?

Porque ninguém pode garantir que vai continuar dando certo, mas qualquer um pode afirmar que vai ficar ultrapassado em algum momento. As coisas não dão certo indefinidamente porque os contextos são dinâmicos e onde existe movimento é preciso haver adaptação. Por isso, é preciso estar atento e se antecipar, correndo o risco de parecer que estamos mudando o que está dando certo.


O que impulsiona a mudança?

O que mais impulsiona é a necessidade de preservação e sobrevivência diante da dinamicidade dos contextos. Na prática, fatores internos e ou externos onde elementos como a força do trabalho, a tecnologia, a concorrência e as tendências sociais econômicas e políticas, por exemplo, são aspectos que estão presentes no dia a dia das empresas e que impulsionam a mudança.

Perspectives

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